
"A vida é o que ocorre enquanto você se preocupa com outras coisas."
(John W. Lennon)
Quando somos crianças, o tempo demora uma eternidade a passar, achamos que vamos viver pra sempre. Aquela tal avó de livro de histórias de 180 anos parece ser real, uma pessoa de 70 anos parece ter uma experiência de vida equivalente à uma bruxa de 350 da Branca de Neve. Isso porque não nos preocupamos com nada, exceto o efêmero, o momento da brincadeira, apenas com o prazer daquela hora.
Se amadurecemos com a consolidação do medo de aproveitar cada efemeridade, nosso tempo de vida parecerá pouco. O tempo, neste caso, passará rápido demais porque o que será encarado, será um fardo, sem aproveitar a diversão.
Tudo isso é fruto do desenvolvimento do capitalismo, haja vista que é ele quem vende a idéia de que um bem durável vale mais do que uma tarde tomando sorvete com a pessoa amada. Vivemos em uma sociedade líquida, onde as relações e valores duram pouco*, ao mesmo tempo em que cultivamos a idéia de que todo bem durável vale mais- um paradoxo que, ao mesmo tempo em que favorece mais os donos dos modos de produção pela sua lucratividade, também prejudica mais esse mesmo grupo. São eles os criadores e maiores vítimas de sua própria ideologia, pois deixarão de viver momentos efêmeros de puro prazer em função do trabalho direcionado à aquisição dos bens duráveis.
*: Procurar BAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário. Editora Jorge Zahar.
Música para ouvir com esse post: A Day In The Life
http://www.youtube.com/watch?v=P-Q9D4dcYng

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